A saída de bola com o goleiro, explicada por Roberto De Zerbi


Italiano foi um dos precursores da evolução tática do goleiro a partir de uma mudança na regra em 2019 e fez grande campanha com o Brighton “Estou bastante convencido que é um dos treinadores mais influentes dos últimos 20 anos”. É assim que Pep Guardiola, vencedor de tudo pelo Manchester City, fala de um treinador que merece mais a atenção de quem gosta de futebol: Roberto De Zerbi.
Surpresa do Brighton para repor o lugar deixado por Graham Potter, o italiano não apenas melhorou o time como conseguiu um inédito sexto lugar, com direito a vitórias sobre Manchester United e um jogaço contra o City.
Roberto De Zerbi Shakhtar
Getty Images
+ Ousadia e saída curta: como joga o Brighton de De Zerbi, sensação do Campeonato Inglês
+ O campo aumentou 16m? Entenda de uma vez por todas o conceito que Luxa repete nas entrevistas
O treinador é um dos grandes adeptos da saída de bola feita do goleiro para o campo.
A participação do goleiro na saída de bola não era comum até 1992. Foi quando a International Board (IFAB), órgão que regulamenta o futebol, proibiu o recuo com as mãos.
A partir da década de 2000, o goleiro começou a sair jogando mais com os pés para ajudar o time a atrair a marcação. Ricardo La Volpe foi o primeiro que testou a ideia no México, em 2006. Dois anos depois, Pep Guardiola implementou o conceito no Barcelona e mudou a visão dos treinadores sobre a saída curta.
Em 2019, a IFAB fez uma mudança sutil: derrubou a obrigação de a bola sair da grande área nos tiros de meta para o jogo ser reiniciado. Com isso, muitos times passaram a jogar curto, dentro da própria área, atraindo os adversários em busca de espaços às costas dos marcadores.
De Zerbi foi um dos primeiros a pensar essa saída curta, de dentro da área, de forma sistemática. A ideia é gerar vantagens, que são condições boas para o time sair tranquilo e sem marcação rumo ao ataque.
Acredito que passar a bola para o goleiro não deve ser abusado. Não devemos usar o goleiro demais. Mas se você usar, passar a bola para ele deve ter uma razão. Se eu não jogo a bola para o goleiro, não consigo avançar porque os adversários estão todos no campo deles. A ideia de dar a bola para o goleiro é dar dois passos para trás para ir ao ataque com força.
Veja os conceitos aplicados em campo
Para que as vantagens aconteçam, o treinador italiano divide o time em setores:
O setor de aproximação
O setor de criação
O setor de aceleração
Setor de aproximação: o time precisa de muitos toques curtos e jogadores próximos. É o “Dinizismo”, com uma certa liberdade para troca de posição, mas seguindo a regra de estar próximo da bola e com o corpo virado. Aqui, é preciso estar atento, pronto para receber o passe e de olho no que acontece na frente. Veja na imagem: o goleiro tem a bola e sai com todo o time virado para ele. O adversário (em vermelho) acompanha para roubar a bola na frente.
Goleiro sai jogando com muitas aproximações dos zagueiros e meias
Reprodução
Setor de criação: é quando o jogo chega nos atacantes e precisa ser rápido e agressivo para gerar um gol. O goleiro do Brighton é praticamente um camisa 8 e tem liberdade para passar a bola direto aos atacantes. É uma forma de tornar o jogo direto e deixar toda a pressão marcada em vermelho para trás, como acontece na imagem.
Atacante recebe o passe do goleiro: pressão do City vencida
Reprodução
Setor de aceleração: todo mundo precisa ir para cima. É hora de colocar agressividade. Isso porque com a marcação toda batida na frente, sobra menos defensores. Veja que o Brighton chega ao gol numa situação extremamente vantajosa: os zagueiros do City precisam cobrir os dois jogadores abertos e os dois atacantes que vão chegar de trás.
Brighton chega com vantagens no ataque: conceito principal da saída curta
Reprodução
A jogada do exemplo é o gol de empate do Brighton contra o Manchester City, campeão europeu e inglês da temporada. Mas seus conceitos estão presentes em diversos lugares do mundo, e aqui no Brasil, são muito vistos em dois treinadores: Fernando Diniz e Jorge Sampaoli.
Diniz levará a saída curta do goleiro em seu período como interino na seleção brasileira. Já Sampaoli eleva esse conceito à enésima potência e faz Matheus Cunha, goleiro do Flamengo, jogar curto fora da área, quase que no meio-campo. A ideia do treinador é que, com o goleiro avançado, o time todo fica mais próximo do gol e não precisa acelerar tanto como o Brighton. É fazer a mesma coisa num espaço menor.
Goleiro do Flamengo adiantado no meio-campo
Reprodução
Ao ser indagado sobre os motivos de usar a saída curta, De Zerbi cita os seguintes motivos:
A construção do jogo desde a defesa é a primeira parte do ataque. De certo modo, ela permite que você jogue no seu campo como uma primeira parte para ir ao ataque. Nós queremos reduzir o peso do azar e do acaso no jogo, e ter a bola permite que você controle ela perto de onde o time está.
A saída curta com o goleiro não é mais uma tendência. É uma realidade. Veio para ficar. Porque o futebol é um esporte em constante mutação com um único objetivo: vencer.

Veja também  Desfile de 7 de Setembro em Teresina tem grande público para celebrar 201º aniversário da independência

Powered by WPeMatico

Origem da Noticia
https://ge.globo.com/blogs/painel-tatico/post/2023/07/07/a-saida-de-bola-com-o-goleiro-explicada-por-roberto-de-zerbi.ghtml
Autor: {authorlink}

Deixe uma resposta

%d blogueiros gostam disto: