Artistas e amigos prestam homenagens a Zé Celso
José Celso Martinez Corrêa tinha muitos adjetivos: ousado, provocador, revolucionário. Para os amigos, era o gênio que não se cansava nunca de criar e transformar. Artista e amigos falam sobre José Celso Martinez Corrêa
Zé Celso tinha muitos adjetivos: ousado, provocador, revolucionário. Para os amigos, era o gênio que não se cansava nunca de criar e transformar.
Quando a pandemia chegou, Zé Celso estava com 83 anos. Mas nem ela conseguiu aquietar o artista. Esses três últimos anos foram de muita produção, animação e reconhecimento. Trabalho coletivo que era a marca dele.
“Eu acho que eu só existo, só fiz o que eu fiz porque eu tive a sorte de bem novinha dá de cara com o Zé. A coragem do Zé não só te inspira, ela te deixa com vergonha de não ser corajosa como ele”, diz a atriz Regina Casé.
“Zé Celso: gigante, revolucionário e iluminado”, diz a atriz Irene Ravache.
O filme “Máquina do desejo – 60 anos do Teatro Oficina” contou as seis décadas de Zé Celso e sua trupe. Em novembro de 2021, Pedro Bial quis saber se ele estava com abstinência de palco por causa do isolamento. Que nada, estava vivendo e preparando a volta.
A obra de Platão dentro de um apartamento: o elogiado documentário “Fédro”, que fez com Reynaldo Gianecchini, foi lançado durante a pandemia.
“O Zé Celso é a pessoa mais transgressora e mais livre que eu já tive a sorte e o privilégio de cruzar na minha vida”, afirma o ator Reynaldo Gianecchini.
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Zé Celso revolucionou o teatro brasileiro
E 2022 começou com mais uma estreia: uma nova versão de “Esperando Godot”, um clássico do irlandês Samuel Becket, estrelada por seu marido Marcelo Drummond e Alexandre Borges.
“O Zé mudou a minha carreira profissional mesmo, depois que em 1993 eu trabalhei com ele aqui na reabertura desse teatro maravilhoso, considerado um dos teatros mais bonitos do mundo”, diz o ator Alexandre Borges.
Zé Celso era uma daquelas pessoas tão grandiosas que não cabia em si. Para a nossa sorte, sua explosão criativa deu luz a um teatro: o Teatro Oficina. Original no conteúdo e arquitetura, ele tem o palco no centro de duas grandes arquibancadas, com portas que se abrem, facilitando a integração, o desfile pelas ruas.
A força de Zé Celso fez o Oficina resistir e renascer várias vezes, superando crises econômicas e o incêndio criminoso durante a ditadura. A esperança é que de que agora, das cinzas dessa tristeza, o Oficina mais uma vez resista e renasça para honrar o legado do seu criador.
“Ele sempre foi um homem de luta. E que nesses últimos anos ele tinha uma luta que era dar ao Bexiga, em São Paulo, um pouco de respiro com uma praça ao lado do Teatro Oficina”, conta o ator Paulo Betti.
O livro que conta a jornada do xamã e líder político dos Yanomami era a mais recente paixão e projeto do dramaturgo.
“O Zé era imenso. Ele estava adaptando ‘A queda do Céu’, do Davi Kopenawa. Ia começar a ensaiar agora em agosto, estava cheio de vida, cheio de energia”, diz a atriz Júlia Lemmertz.
“É uma leitura que não é ‘estou vendo essa peça aqui sentada na minha cadeira’. Você está sendo colocado diante de uma questão crucial do Brasil agora, naquele momento,”, afirma a atriz Fernando Torres.
“O Zé não é inspiração para ninguém aqui. O Zé é uma provocação. Ele não é um inspirador, é um provocador. Um provocador é uma pessoa que não te deixa quieto. Você perto dele, fica esperto”, diz o ator Pascoal da Conceição.
A repercussão da partida inesperada é imensa. O presidente Lula escreveu que “O Brasil se despede hoje de um dos maiores nomes da história do teatro brasileiro”. A ministra da Cultura, Margareth Menezes, disse: “Sentimos profundamente a perda de Zé Celso, um dos dramaturgos mais revolucionários e inovadores do Brasil”.
Inspirados pelo teatro tropicalista de Zé Celso, Gilberto Gil registrou que: “Zé Celso marcou a história do Brasil e seu legado será eterno”. E Caetano Veloso escreveu: “Zé Celso era um artista, não meramente um ‘diretor de teatro’. Um artista intenso, imenso. Precisamos de tempo para dimensionar seu legado”.
“No teatro eu me sinto jovem. Eu me sinto eterno, não me sinto nem velho nem moço, nem nada. Eu me sinto eterno”, disse José Celso Martinez Corrêa.
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