Central do Sesc-Flamengo que perdeu casa na tragédia do RS desabafa: “Tudo desapareceu”


Valquíria Dullius perdeu casa da família e dos avós e ajudou nos resgates de pessoas e animais A central do Sesc-Flamengo, Valquíria, esteve entre as 538,1 mil pessoas que ficaram desalojadas com os temporais e enchentes que atingiram o Rio Grande do Sul. A casa dos pais e dos avós da jogadora ficaram completamente submersas, além do salão de beleza da mãe, Marilise Carboni, que também foi tomado pelas águas.
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Central do Sesc-Flamengo mostra bairro da avó no RS
Arquivo pessoal
A insegurança e o medo entraram na rotina da família de Valquíria, desde a fatídica sexta-feira, 3 de maio, quando as chuvas agravaram no sobre o município de Canoas, terra da atleta. Ela estava no aeroporto de Porto Alegre, aguardando o vôo de volta para o Rio, quando viveu um dos dias mais chocantes de sua vida.
– Meu pai havia me deixado de carro na estação de trem, próxima ao aeroporto, para evitar pegar as ruas mais alagadas. Faltando aproximadamente um quilômetro, desligaram os motores, acho que por conta da risco de choque elétrico, e avisaram que precisaríamos andar dali em diante com mala e tudo – contou.
Vista do Bairro Fátima de uma passarela
Arquivo pessoal
Já no aeroporto, a atleta recebeu a notícia de que seu vôo havia sido cancelado. Logo após o aviso, anunciaram nos alto-falantes que todos precisariam evacuar o local, pois o saguão seria inundado. Valquíria pediu carona à irmã que a levou para a casa dos pais, no bairro Matias Velho, uma localidade mais baixa da cidade de Canoas.
– Assim que chegamos, a polícia civil deu um alerta dizendo que era necessário evacuarmos tudo que havia no raio de seis a oito quilômetros da região, porque o dique iria romper. Pegamos o cachorro, os gatos, meu pai deu um jeito de levantar tudo, prender colchões e móveis no alto, na esperança de que a água fosse subir pouca coisa – disse a gaúcha.
Pai de Valquíria, central do Sesc-Flamengo, coloca móveis da casa no alto por conta das enchentes
Arquivo pessoal
A família se abrigou na casa do falecido avô, onde a irmã de Valquíria mora atualmente, no bairro de Fátima, uma dos pontos altos da cidade. Mal poderiam imaginar que a situação agravaria em poucas horas.
Móveis da casa de Valquíria são colocados no alto por conta das enchentes
Arquivo pessoal
– Às 4h da manhã, acordamos com uma gritaria. Os vizinhos berravam: ‘Peguem tudo e saiam das casas, evacuem a área que vai inundar!’. Pegamos poucos pertences, e saímos correndo. Fomos para um bairro mais alto, no meio da madrugada, chamado Estância Velha, e ficamos em pé, no meio da rua, sem ter para onde ir. Foi desesperador – disse Valquíria.
Uma senhora viu a família na rua e os acolheu em sua casa, até que algo pudesse ser feito. Pela manhã, Valquíria voltou até a casa da avó acompanhada de seu primo Matheus, para tentar pegar os últimos pertences. Com a água na altura do peito, a jogadora se despediu do lar em que passou grande parte de sua infância.
Central do Sesc-Flamengo mostra bairro da casa da avó inundado no RS
– Foi muito triste ver a casa em que meus avós moraram ir embora no meio da água. As ruas em que brinquei quando era criança, tudo, tudo desapareceu. Em 60 anos que minha família morou nesse lugar, nunca viram nada assim – lamentou.
Voluntárias nos resgates
A central, suas irmãs Bárbara e Samantha e seus pais ficaram hospedados na casa da madrinha do pai, Thereza, também no bairro Estância Velha, em uma região mais segura. No entanto, estar a salvo não deixou a Valquíria mais tranquila. Pelo contrário, a atleta não parou de ajudar nos resgates de pessoas e animais, nos dias que seguiram a tragédia.
Valquíria do Sesc-Flamengo atuando como voluntária nas enchentes do RS
Arquivo pessoal
– Ficamos direto auxiliando como voluntárias nas ruas e na Universidade de Ulbra. De dia, ajudamos com o abastecimento de água, e à noite nos revezamos para cuidar de animais e bebês. A gente que é atleta pode somar com a força física nessas horas. Essa corrente deu muita esperança, eram muitos voluntários, e tudo virou barco: tonel, caixa d’agua etc. Resgatamos algumas senhorinhas com seus cachorros, foi muito marcante – disse.
Casa e salão de beleza submersos
Uma vizinha que mora em um sobrado ao lado da casa dos pais de Valquíria chegou a enviar fotos, nas quais tudo que se vê são os telhados das construções. A previsão informada pela defesa civil aos moradores, é de que pode demorar cerca de 20 dias para a água baixar. Com a normalização do nível das águas, vem o receio de ver o que ficou para trás. Vidas, sonhos e o ‘ganha-pão’ de tantas famílias.
Casa da família de Valquíria pouco antes de ficar submersa
Arquivo pessoal
Felizmente, o nível do rio Guaíba, na capital gaúcha, diminuiu 5 metros pela primeira vez desde a última segunda-feira (13), chegando a 4,98 metros. A medição foi realizada na última quinta-feira, pela Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), segundo fontes do g1.
Volta ao Rio e incertezas
A atleta conseguiu voltar ao Rio de Janeiro na última quarta-feira, para cumprir obrigações de trabalho. Com a trégua temporária das chuvas, o pai da jogadora a levou para Santa Catarina ao encontro de seu marido, que além de buscar Valquíria, aproveitou a viagem para levar mantimentos e roupas para a família.
Valquíria em ajuda voluntária aos desabrigados pelas chuvas no RS
Arquivo pessoal
O município de Canoas, no Rio Grande do Sul, terra de Valquíria, continua inundado em grande parte. Cerca de 70 mil casas estão submersas e dois terços dos habitantes da cidade tiveram que ser evacuados, segundo o prefeito Jairo Jorge. A atleta estuda agora a possibilidade de retirar a família do estado.
– Não sabemos o cenário depois das tempestades. Presenciamos muitos tiroteios e roubos durante os resgates. Não vou deixar meus pais voltarem para lá tão cedo – contou.

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Origem da Noticia
https://ge.globo.com/volei/noticia/2024/05/16/central-do-sesc-flamengo-que-perdeu-casa-na-tragedia-do-rs-desabafa-tudo-desapareceu.ghtml
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