JN entrevista casal de gaúchos que são exemplo de resiliência em meio ao desastre no RS

Os aposentados Luis Carlos Almeida dos Santos e Jurema Terezinha Ribeiro, de Porto Alegre, estão no abrigo da PUC-RS e, de lá acompanham o Jornal Nacional todas as noites. JN entrevista casal de idosos desabrigados no RS
Na noite em que o Jornal Nacional foi apresentado no ginásio da PUC, que acolhe desabrigados pela enchente, a equipe notou que havia um casal muito atento, acompanhando aquela edição em um celular. Depois do jornal, William Bonner conheceu o aposentado Luis Carlos Almeida dos Santos . Foi quando Bonner soube que ele pediu um paletó emprestado porque queria estar bem vestido para conhecer a equipe do JN.
“Eu nem preciso dizer que isso nos emocionou enormemente”, diz William Bonner.
Nesta quarta-feira (15), o Jornal Nacional convidou Luís Carlos e a esposa, Jurema Terezinha Ribeiro, para acompanhar o jornal na redação da RBS.
William Bonner: Eu queria dividir com o público o que foi que aconteceu com vocês, em que bairro fica a casa dos senhores?
Luis Carlos Almeida dos Santos: A minha casa que fica no bairro Humaitá.
Bonner: Então, o Seu Luiz Carlos estava dizendo que ele precisou sair de casa porque a água avançou, mas ele não chegou a sair de casa quando a água já estava lotando a casa. Começou a sair água dos bueiros. Não foi isso?
Luis Carlos: No caso, eu, com a experiência que eu tenho com entregar jornal muitos anos ali no meu bairro, eu já estava acostumado sair com a água aqui na canela, assim, nunca. Não que a água entrou dentro da minha própria casa. Ela saiu na rua. Era sempre assim, uma lagoa.
Bonner: E quem foi que teve a ideia, ou quem foi que decidiu que era hora de o senhor, da Dona Jurema e filhos e netos saírem de lá?
Luis Carlos: No caso, foi o filho William Ribeiro dos Santos, seu xará, e Max Ribeiro, no caso é o sobrinho da minha esposa. Eles foram fazer um serviço para Dona Lia (vizinha) (…). Mas aí a Lia e Seu João Inácio tiveram a humildade de estender a mão para nós.
Bonner: Isso foi mais uma ação simbólica de solidariedade que o Rio Grande do Sul tem visto desde o primeiro momento. Quando os jovens saíram da casa de vocês, os senhores foram para um estádio de futebol, não foi isso?
Luis Carlos: Exatamente.
Bonner: E, no caso, foi o estádio do seu coração?
Luis Carlos: O estádio do meu coração.
Bonner: Ele é gremista. O senhor foi acolhido na Arena do Grêmio e depois é que foi todo mundo lá para a PUC.
Luis Carlos: Exatamente. Nós tivemos a felicidade de sair de uma tragédia, de cair do céu de paraquedas dentro da PUC. Aonde eu, particularmente, a minha esposa e, enfim, de todo o pessoal que está lá acolhido, são muito bem tratados. Eu não tenho como comentar nada contra a PUC em si e nos funcionários, enfim, em geral.
Bonner: Eu testemunhei isso lá. Dona Jurema, quantos filhos a senhora e o Seu Luis Carlos tem tiveram?
Jurema Terezinha Ribeiro: Nós tivemos dez filhos. Um se matou.
Bonner: Sim, vocês perderam um filho tragicamente. Mas nesta enchente, toda a família dos senhores, a senhora, o Seu Luis Carlos, filhos e netos, estão todos acolhidos em algum lugar?
Jurema: Acolhidos, estamos todos acolhidos.
Bonner: E a maioria está lá na PUC com os senhores, Dona Jurema?
Jurema: Não, eu estou só com a minha filha, que é quem que tem cinco filhos e mais um filho e uma neta ainda.
Bonner: Eu acho que eu conheci a sua filha. Eu tirei uma foto com ela. Quando terminou o Jornal Nacional, naquele dia, além de ser apresentada…
Jurema: Ela ficou muito feliz, muito emocionada, chegou a chorar.
Bonner: Eu vi que ela ficou emocionada, e eu também fiquei. Mas eu não conto porque eu me emociono muito facilmente, como todo mundo sabe aqui. Mas eu sou forte. Hoje eu vou me segurar. Agora, seu Luis Carlos, eu queria dizer ao senhor e a Dona Jurema, e eu queria que todos no Brasil ouvissem isso com atenção. Esse casal aqui está conosco não apenas porque nós estamos retribuindo o carinho que eles nos deram naquela edição, que foi uma edição difícil de fazer do Jornal Nacional, como tem sido todas, mas porque a resiliência desse casal é um exemplo do Rio Grande do Sul. Essa enchente produziu alguns símbolos até agora. A gente teve um símbolo que foi o cavalo Caramelo. Eu não sei se vocês tiveram conhecimento disso, um cavalinho que ficou dias e dias em cima de um telhado e foi resgatado. E entre os gaúchos, as pessoas gaúchas, a resiliência, a força, a coragem de vocês tem simbolizado o que o Brasil inteiro testemunha desde o início das enchentes. É por isso que eles estão aqui. É por isso que eu agradeço a presença. E saibam, os senhores não estão sozinhos. Os senhores têm um Brasil inteiro os apoiando nesse momento. Vamos sair dessa.
Desde o início das chuvas, a Globo enviou para o Rio Grande do Sul um total de 68 profissionais das equipes de jornalismo e de tecnologia. Essa equipe tem trabalhado junto com os colegas da RBS em uma cobertura jornalística que está ajudando o Brasil e os brasileiros de todas as regiões a compreender a dimensão da calamidade que os gaúchos estão enfrentando. A edição desta quarta-feira (15) foi a última edição do Jornal Nacional apresentada direto de Porto Alegre. Na quinta-feira (16), William Bonner volta para a redação do Jornal Nacional e no estúdio ao lado da Renata Vasconcellos.
Mas as equipes de reportagem da Globo vão continuar no Rio Grande do Sul, mantendo essa parceria com a RBS por tempo indeterminado. Repórteres que precisam voltar para casa nesse momento vão ser substituídos por outros colegas repórteres que estão chegando do Rio de Janeiro, por exemplo, como a Bette Lucchese; de Brasília, vem o Vladimir Neto, e de São Paulo, vem o Bruno Tavares. Isso vai continuar porque o compromisso de solidariedade da Globo ao povo gaúcho permanece.
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https://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2024/05/15/jn-entrevista-casal-de-gauchos-que-sao-exemplo-de-resiliencia-em-meio-ao-desastre-no-rs.ghtml
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