Osaka é azul e preta – Gamba volta a vencer o maior dérbi do Japão depois de 5 anos


Takashi Usami decide o Dérbi de Osaka no dia do seu aniversário e frustra ambição do Cerezo de disputar o título Já vi muita gente perguntando qual é a maior rivalidade do Japão. Até o início da J.League, sem dúvida era Verdy x Marinos, pois desde os anos 1980 seus antecessores da era amadora, Yomiuri e Nissan, eram os times mais fortes do país, que tinham os principais jogadores da seleção e que disputavam a maioria dos títulos. A partir do final da década de 1990, os confrontos entre Júbilo Iwata e Shimizu S-Pulse começaram a pegar fogo, mas o Dérbi de Shizuoka tem perdido força com o passar dos anos, com Júbilo e S-Pulse alternando entre J1 e J2. Hoje a maior rivalidade em Kanto (leste do Japão) é entre Urawa Reds e Kashima Antlers, mas eles são de províncias diferentes. Mesmo caso de Kawasaki Frontale x FC Tokyo. Em Kanagawa, Frontale e F-Marinos têm decidido muitos títulos ultimamente, mas é o Dérbi de Yokohama entre F-Marinos x Yokohama FC que mais causa alvoroço na província, só que tem acontecido com pouca frequência porque o YFC fica mais na segunda do que na primeira divisão. O Dérbi de Tóquio é um que promete bastante, mas tem pouco histórico porque até ano passado FC Tokyo e Tokyo Verdy estavam quase sempre em divisões diferentes.
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Já em Kansai (oeste do Japão) a história é diferente. Gamba Osaka e Cerezo Osaka são os principais times da região e ambos já têm muita história. O Cerezo, apesar de ter poucos títulos e nunca ter ganhado a J.League, foi um dos mais vencedores da era amadora, como Yanmar, além de ter sido o clube que começou a tradição dos brasileiros no futebol japonês (vamos falar mais sobre isso em breve). O Gamba, que antigamente era Matsushita (nome japonês da Panasonic), surgiu do time B do Yanmar e acabou “passando a perna” no vizinho porque se tornou um dos membros fundadores da J.League em 1993, enquanto o Cerezo só conseguiu entrar na liga em 1995. Apesar de ser um saco de pancadas no início, o Gamba empilhou taças nos anos 2000 e se tornou um dos maiores do país. Em especial, a última rodada da J.League 2005 é lembrada até hoje como a mais emocionante da história, quando cinco equipes tinham chances matemáticas e o título que estava nas mãos do Cerezo foi para o Gamba no apagar das luzes.
Atualmente, o jogo começou a virar de novo, porque o Gamba nunca mais conquistou um título desde que inaugurou o Panasonic Stadium Suita em 2016 (o popular “Panasta” e vulgo “Suitão”), enquanto o Cerezo no ano seguinte levantou suas primeiras taças da era profissional com a dobradinha das copas Levain e do Imperador em 2017. Em 2024, o Gamba tenta se reconstruir depois da pior temporada da história do clube (em 2023 o desempenho foi até pior do que no ano do rebaixamento, em 2012) e o Cerezo tem como meta ser campeão no ano em que comemora seu 30º aniversário (os clubes no Japão contam em separado a era amadora).
Por isso o Cerezo era favorito nesse dérbi, mesmo na casa do Gamba. O histórico também era amplamente favorável à Cerejeira, que em jogos de J.League não perdia para o rival desde 2019. Em especial o técnico Akio Kogiku tinha a fama de se dar bem no clássico. Mas a expectativa no Gamba também era alta porque o time tem evoluído e tenta brigar na parte de cima da tabela. Os 35 mil ingressos colocados à venda se esgotaram com alguns dias de antecedência.
Não é sempre que se ouve vaias em estádios japoneses, mas nesse caso é diferente. As vaias começaram desde o anúncio das escalações. Apareceu primeiro no telão os titulares do Cerezo, seguido de um coro de vaias da maioria azul e preta. Quando foi mostrada a escalação do Gamba, o lado rosa também vaiou bastante, em um tom especialmente forte para o volante Tokuma Suzuki, que pulou o muro e transferiu do Cerezo para o Gamba, e o atacante Takashi Usami, a estrela da equipe de Suita.
O lado visitante então abriu um bandeirão rosa e azul com o escudo do Cerezo e a frase em inglês “For the top of dreams” (para o topo dos sonhos). Também tinha uma faixa menor, escrita à mão, perguntando quais restaurantes são bons em Okinawa – provocando o Gamba pela eliminação na Copa Levain contra o FC Ryukyu. Em seguida, o lado do Gamba abriu uma faixa gigante com a frase “Osaka is ours” (Osaka é nossa) e fez um mosaico com as cores azul e preta nos quatro cantos do estádio.
Bandeirão da torcida visitante do Cerezo Osaka
Tiago Bontempo
Já me acostumei com a forma com que as torcidas japonesas cantam e pulam durante os 90 minutos, mas nesse caso era diferente. A tensão era maior. Parecia final de campeonato. A torcida da casa também não perdia a oportunidade de vaiar sempre que o rival tinha a posse de bola no campo de defesa. Ainda não tinha visto uma atmosfera assim em nenhum jogo que fui no Japão. Jornalistas e torcedores já tinham me falado, mas ali não tive mais dúvidas: Gamba x Cerezo é o maior dérbi do país.
Como esperado, o Cerezo começou melhor na partida, com mais domínio da bola e criando chances especialmente com os passes de Shinji Kagawa, mas a defesa gambina estava focada e protegia bem o goleiro Jun Ichimori, mesmo com o desfalque do zagueiro Genta Miura, que rompeu os ligamentos do joelho e só deve voltar a jogar ano que vem. Por outro lado, Riku Handa estava de volta – o lateral direito mal retornou do Catar e já foi escalado como titular. Teve até homenagem a ele antes do jogo por ter conquistado a Copa da Ásia Sub-23 com a seleção olímpica.
Apesar de que no papel o Cerezo era mais time, Dani Poyatos, o treinador espanhol do Gamba, apostou na pressão na saída de bola e forçou erros do rival. Na primeira vez, bola recuperada dentro da área e o gol só não saiu porque Kim Jin-hyeon salvou. Na segunda, Usami recuperou um passe errado de Seiya Maikuma na frente da área e não perdoou: 1×0 e o Suitão entrou em erupção. Para complicar a situação do Cerezo, o selecionável Maikuma – que vinha sendo o melhor jogador do time e não tinha uma única atuação ruim na temporada até então – se machucou logo em seguida e o outro lateral, Kyohei Noborizato, também saiu lesionado no começo do segundo tempo. O Cerezo sentiu o gol, passou a jogar com alguns improvisos e não conseguiu se recuperar na partida. O Gamba mandou no resto do jogo e só não ampliou por causa das defesas de Kim Jin-hyeon.
Após o apito final, a tradição é os jogadores cumprimentarem a torcida. A maior festa foi para o capitão Usami, que comemorava no mesmo dia seu aniversário de 32 anos. Também teve um coro de incentivo ao lesionado Miura. O Gamba quebrou um tabu de cinco anos e subiu para oitavo lugar na classificação, enquanto o Cerezo, que até antes do Golden Week estava na liderança, completou quatro jogos sem vitória e caiu para quinto lugar, agora cinco pontos atrás do líder Machida Zelvia.
Resultados da 12ª rodada da J1:
(10º) Tokyo Verdy 3×2 Júbilo Iwata (13º) (18.959)
(2º) Vissel Kobe 3×2 Albirex Niigata (16º) (21.073)
(8º) Gamba Osaka 1×0 Cerezo Osaka (5º) (34.485)
(20º) Hokkaido Consadole Sapporo 1×2 FC Tokyo (4º) (17.187)
(18º) Kyoto Sanga 0x3 Machida Zelvia (1º) (11.191)
(12º) Avispa Fukuoka 1×1 Kawasaki Frontale (15º) (9.174)
(6º) Sanfrecce Hiroshima 2×3 Nagoya Grampus (7º) (25.193)
(14º) Kashiwa Reysol 1×2 Kashima Antlers (3º) (13.384)
(17º) Shonan Bellmare 2×1 Sagan Tosu (19º) (10.282)
(9º) Urawa Reds 2×1 Yokohama F-Marinos (11º) (40.579)

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https://ge.globo.com/blogs/futebol-no-japao/post/2024/05/08/osaka-e-azul-e-preta-gamba-volta-a-vencer-o-maior-derbi-do-japao-depois-de-5-anos.ghtml
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