Saiba por que Abel não quer deixar o Palmeiras, mas ainda avalia se irá renovar até 2027


Ainda que relação dentro do clube seja muito boa e sua família esteja adaptada ao Brasil, episódios recentes com ataques a ele e seu auxiliar o fizeram até questionar futuro Abel Ferreira já definiu o Palmeiras como um “oásis no deserto” para justificar por que recusa frequentes sondagens do exterior. Ainda que feliz no clube e com a família adaptada ao Brasil, o técnico português ainda evita falar no plano da presidente Leila Pereira de renovar até o fim de 2027.
Por enquanto, o treinador apenas diz que irá cumprir seu atual vínculo, válido até dezembro do ano que vem. Leila já avisou que vai concorrer à reeleição em 2024 e, se reeleita, tentará manter Abel no comando por mais três anos, período do mandato presidencial.
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Abel Ferreira, treinador do Palmeiras
Cesar Greco/Palmeiras
Abel relatou a pessoas próximas sentimentos divergentes sobre sua vivência no Brasil: no Palmeiras, a relação é ótima, esposa e filhas adoraram mudar para São Paulo (SP), só que há um incômodo também com o que considera ataques fora do clube, a ponto de em dado momento cogitar mudar os planos e encerrar a trajetória no Verdão antes – a ideia, porém, foi logo esquecida.
– O Abel e toda a sua comissão têm contrato conosco até o final de 2024. Tenho certeza que pela seriedade do trabalho deles e da sua comissão que eles não vão nos abandonar antes do término do contrato. Não canso de dizer que o meu desejo é que ele fique conosco o maior tempo possível – afirmou Leila Pereira.
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O ge lista abaixo o que influencia os próximos movimentos de Abel Ferreira sobre seu futuro. Dos motivos que o fazem nem pensar em ir embora do Verdão agora, aos que o deixam em dúvida se o melhor caminho não é, de fato, tirar um período sabático a partir de 2025.
Por que o Verdão é um “oásis”?
Desde que chegou ao Brasil, em novembro de 2020, Abel viu de perto a rotina de demissões e saídas no futebol nacional. Mas no Palmeiras, nunca esteve sob risco: Leila, inclusive, já avisou que ele só deixará o clube quando quiser.
– Eu acho que o Palmeiras é um oásis no deserto. Pela forma que pensa, o projeto bem organizado, pessoas competentes em todos os lugares… – disse o treinador, semana passada.
Depois de quase um ano e meio morando sem a família em São Paulo, Abel sentiu esta segurança do clube e trouxe em julho de 2022 sua esposa e as duas filhas para o Brasil. As três rapidamente se adaptaram ao novo país.
A forma como a família está integrada na capital paulista tem um papel importante na escolha de nem abrir negociações com potenciais interessados.
Abel Ferreira, do Palmeiras, em chamada de vídeo com a família, no Mundial de Clubes de 2020
Cesar Greco/Ag. Palmeiras
O projeto oferecido pelo Palmeiras cria para Abel um ambiente que lhe agrada na Academia de Futebol, tanto com jogadores quanto funcionários.
Enquanto vê em campo o grupo ainda com disposição para continuar vencendo após oito taças na “era Abel”, ele vê o resultado do trabalho (registrado em livro) nas taças e também na valorização de atletas que cresceram muito sob seu comando.
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Conquistas e recordes
Futebol é resultado, e no Brasil eles contam muito para decidir o futuro de um treinador. No Palmeiras, Abel chegou vencendo, fator fundamental para a sua sequência no clube.
Foram apenas 26 jogos no comando do time até a final da Libertadores de 2020, vencida pelo Palmeiras após 21 anos de fila na competição. Com dois meses de clube, conseguiu entrar na história. Pouco depois, venceu também a Copa do Brasil.
Ao todo, Abel Ferreira e sua comissão técnica portuguesa acumulam oito títulos: Libertadores (2020 e 2021), Brasileirão (2022), Copa do Brasil (2020), Supercopa do Brasil (2023), Recopa Sul-Americana (2022) e Paulistão (2022 e 2023).
Abel Ferreira e comissão técnica do Palmeiras após conquista da Recopa Sul-Americana de 2022
Marcos Ribolli
Relação direta com a torcida
Antes de virar praticamente unanimidade entre os palmeirense, Abel também foi alvo de críticas e até protesto. Pouco depois dos títulos da Libertadores e da Copa do Brasil de 2020, os muros do Palmeiras foram pichados com várias mensagens de cobrança. E uma delas dizia: “Acorda, Abel”.
Naquele momento, o Verdão vivia momento irregular no Paulistão depois das perdas dos títulos da Supercopa e da Recopa. Mas a diretoria afastou qualquer pressão, e o treinador teve tranquilidade para seguir. E faz questão de pedir apoio “dos verdadeiros palmeirenses” em coletivas.
Bem assessorado e respaldado por amigos como Luiz Felipe Scolari, que conhece bem como funciona o Palmeiras, Abel entendeu como lidar com a sua torcida. Ao longo dos tempos, foi assumindo a identidade da “família Palmeiras”.
Torcedor do Palmeiras com faixa para Abel Ferreira
Emilio Botta
Estrutura e ambiente familiar
Boa parte do “oásis” que Abel Ferreira se refere ao Palmeiras vem da estrutura do clube. No último mês, o Globo Esporte visitou a Academia de Futebol do Verdão com Caio Ribeiro para mostrar tudo que a comissão técnica portuguesa têm à disposição na Academia de Futebol (veja abaixo).
Caio Ribeiro mostra toda a estrutura que o Palmeiras tem no CT
Para além dos equipamentos e da tecnologia disponível para a comissão técnica e seus jogadores, Abel Ferreira destaca o “material humano” presente. Constantemente o treinador elogia os funcionários da Academia de Futebol, de todas as áreas.
Quando completou um ano de comando no Palmeiras, o treinador se emocionou após uma homenagem feita na Academia de Futebol.
Abel Ferreira, treinador do Palmeiras
Cesar Greco/Palmeiras
Ao justificar que sua rotina na Academia é “top”, Abel até citou que o clube construiu uma quadra de padel, um dos esportes favoritos do português.
Em sua última renovação, acertada no ano passado, Abel se tornou, também, um dos técnicos mais bem pagos no mercado sul-americano.
Conheça o padel, esporte favorito de Abel Ferreira
“Homens de caráter”
Ter um grupo que pouco muda de uma temporada para outra e jogadores de sua confiança é fundamental para a permanência de Abel Ferreira no Palmeiras.
Ao longo dos jogos, o treinador sempre faz questão de destacar o “caráter” de seus atletas. Na última semana, após a goleada contra o Bolívar, na Conmebol Libertadores, voltou a elogiar os jogadores.
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– Para ser jogador aqui no Brasil é preciso ter uma estrutura muito forte para lidar com críticas e tudo que se passa ao seu redor. É um orgulho muito grande ser treinador desses homens de caráter, que são capazes de dar a volta por cima contra tudo e contra todos – disse Abel.
Abel Ferreira conversa com elenco do Palmeiras na Academia de Futebol
Cesar Greco/Palmeiras
Então por que não renovar?
Se o ambiente dentro do Palmeiras é visto como o ideal para Abel, as repercussões do que têm acontecido fora do clube vêm aumentando seu incômodo.
Alguns ataques considerados pessoais geraram desconforto, como a nota da CBF endereçada ao seu auxiliar João Martins, e também uma nota da Federação Brasileira dos Treinadores de Futebol dizendo que o assistente e Abel desrespeitam o futebol nacional.
Desde que chegou, ele é o treinador mais advertido no futebol brasileiro com cartões (são 52, sendo 44 amarelos e oito vermelhos) e já disse que precisa melhorar sua postura à beira do campo, mas tem se sentindo perseguido por alguns árbitros.
Na visão de quem convive com Abel, há uma tolerância menor para os atos dele e sua comissão técnica ao comparar com o que acontece com treinadores brasileiros. Nesta segunda, inclusive, ele será julgado em dois processos diferentes no Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD).
Abel Ferreira, do Palmeiras, recebe cartão contra o Fortaleza
Lucas Emanuel/AGIF
O calendário e os problemas do futebol brasileiro, como a qualidade dos gramados, são pontos de desgaste, também. Abel fala frequentemente dos temas, porém, não vê nas principais entidades do país o interesse em melhorar a estrutura.
O trabalho no Palmeiras é para tentar amenizar estes pontos negativos.
– O mesmo desgaste que eles têm eu também tenho, me dedico ao Palmeiras. Invisto muito no Palmeiras, fico muito irritada e quando acontecem esses fatos, o que passa na cabeça deles e na minha, ficamos desanimados. O trabalho é intenso na Academia de Futebol, ali é um oásis do futebol brasileiro, o trabalho é muito sério e profissional – relatou Leila.
– Todos se dedicam muito, quando saímos daqueles muros e se depara com esses erros bizarros da arbitragem prejudicando todo o trabalho, aquele nível de exigência com nós mesmos, não vemos com a arbitragem. Eles (Abel e comissão) sabem que o Palmeiras precisa da gente, temos milhares de torcedores que sabem reconhecer o nosso trabalho. Vamos conseguir superar isso – concluiu.
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https://ge.globo.com/futebol/times/palmeiras/noticia/2023/07/07/saiba-por-que-abel-nao-quer-deixar-o-palmeiras-mas-ainda-avalia-se-ira-renovar-ate-2027.ghtml
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